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Segurança

Abin alerta para risco de enquadrar PCC e CV como terroristas

Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

De acordo uma avaliação interna elaborada pela Abin (Agência Brasileira de Inteligência), uma eventual classificação do PCC e do CV como organizações terroristas pelo governo dos Estados Unidos expõe o Brasil a sanções internacionais e amplia o espaço para ingerência estrangeira no país. A informação é do O Anatgonista.

O documento foi encaminhado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que age para tentar reverter o enquadramento.

Segundo interlocutores que acompanham as discussões na agência e falaram sob condição de anonimato, a Abin defende que terrorismo, por definição, pressupõe motivação política, religiosa, ideológica ou étnica. As duas facções brasileiras, na avaliação da agência, operam com foco no lucro — o que as diferencia juridicamente de grupos terroristas e exige políticas distintas de enfrentamento.

Ameaça ao sistema financeiro e à soberania

Um dos pontos de maior preocupação diz respeito ao sistema financeiro. Recursos vinculados a integrantes ou estruturas do PCC e do CV poderiam acionar mecanismos de intervenção americana, mesmo em casos em que instituições financeiras não tenham conhecimento da origem ilegal do dinheiro. O resultado seria o risco de bloqueios bancários com impacto direto sobre clientes comuns.

A Abin também aponta que o Brasil reúne características que o tornam alvo recorrente de espionagem e pressão externa: vastas áreas de floresta, reservas de recursos naturais estratégicos e uma produção agrícola altamente competitiva no mercado global.

Precedente venezuelano e riscos eleitorais

O cenário mais extremo levantado pela Abin envolve a possibilidade de intervenção militar sob a justificativa de combate ao terrorismo e ao narcotráfico. A referência concreta é a operação americana na Venezuela, realizada sob ordens do presidente Donald Trump, na qual o ditador Nicolás Maduro foi preso e levado a Nova York para responder a acusações de narcoterrorismo.

Em relatório sobre desafios institucionais, a Abin listou interferência externa e atuação do crime organizado entre os principais fatores de risco para o processo eleitoral de 2026. O documento menciona ainda o uso de inteligência artificial para disseminar desinformação e o avanço da radicalização religiosa como elementos que podem comprometer a legitimidade das instituições democráticas brasileiras.

A agência mantém a posição de que a definição de terrorismo deve ser restrita ao máximo, em linha com os parâmetros adotados por outros países e com os regimes internacionais já estabelecidos sobre o tema.

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