O Ministério Público do Rio Grande do Norte denunciou membros do Sindicato do Crime e revelou um plano para assassinar o delegado Luciano Augusto, titular da 85ª Delegacia de Polícia Civil de João Câmara. A ordem de execução partiu de dentro do sistema prisional e foi transmitida por uma advogada que usava suas prerrogativas de visitas para levar instruções do líder da facção aos comparsas em liberdade. O caso foi destaque no Jornal 96, da 96 FM Natal - veja no vídeo abaixo:
O mandante do crime é José Eduardo Souza de Lima, que comandava as ações da organização mesmo estando preso. A advogada funcionava como ponte entre ele e os criminosos nas ruas, repassando ordens tanto sobre o plano de morte do delegado quanto sobre a gestão cotidiana do tráfico de drogas.
Os criminosos buscaram adquirir fuzis para consumar o atentado. A motivação era clara: as operações constantes conduzidas pelo delegado vinham causando grandes prejuízos financeiros à facção e levaram familiares do líder a se tornarem alvos de medidas cautelares.
O delegado Luciano Augusto é o mesmo que, em 2022, durante a Operação Sinaloa da Divisão de Combate ao Crime Organizado, apreendeu quatro fuzis de guerra na zona rural entre João Dias e Antônio Martins. As armas seriam utilizadas numa chacina que ocorreria na cidade e foram interceptadas após denúncia anônima. Juntas, as armas são avaliadas em cerca de R$ 200 mil, em média. Foram apreendidos três fuzis tipo AR, calibre 556, e uma AK-47 calibre 762.
“Identificamos que se trata do maior grupo criminoso que trafica drogas no Nordeste, que passou pela nossa mão. Nunca identificamos um grupo que movimentasse tanto dinheiro e tanto poderio bélico quanto esse”, disse Luciano Augusto, na época.
As investigações apontavam que o grupo seria comandado Francisco Jácome e Leidjan Jácome, irmãos da então prefeita de João Dias, Damária Jácome. Eles foram mortos na cidade de Barra, na Bahia, em outubro do ano passado, após abrirem fogo contra policiais, segundo informou à época a Polícia Civil. Posteriormente, Romeu Jácome foi preso dentro de um shopping em Aracaju, Sergipe.
Para quem não fez a referência, Damária acabou sendo presa depois, junto a irmã dela, suspeita de ordenar a execução do prefeito Marcelo e do pai dele. O crime chocou a região Nordeste.
DENÚNCIA DE HOJE
A célula do Sindicato do Crime atuava no tráfico e no controle territorial em João Câmara e Caiçara do Norte, com estrutura hierárquica definida e divisão de tarefas que incluíam o comando do comércio de drogas e a execução de rivais. As provas foram obtidas a partir da análise de celulares apreendidos, que continham conversas detalhadas sobre o funcionamento da organização.
As mensagens revelaram ainda regras rígidas de segurança digital impostas pelo comando. Os integrantes eram obrigados a apagar históricos de conversas, usar senhas complexas e nunca permitir acesso aos aparelhos durante abordagens policiais. A facção também mantinha um sistema de punições internas chamado de "brecamentos", usado para impor domínio territorial pelo medo e pela violência.
Registros fotográficos extraídos dos celulares mostravam armas pesadas, munições e grandes quantidades de drogas prontas para venda. Os denunciados já possuíam antecedentes criminais e alguns se autodeclaravam integrantes da facção no cadastro do sistema prisional. O material indicou que o grupo planejava expandir sua atuação para municípios vizinhos, usando João Câmara como base logística.