O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reúne seus ministros nesta terça-feira (31), no Palácio do Planalto, em meio à saída prevista de cerca de 20 integrantes do governo, que devem deixar os cargos esta semana para disputar as eleições de 2026.
Oficialmente, segundo a Casa Civil, o encontro tem como objetivo reforçar a coordenação das ações prioritárias da gestão, mas também deve marcar o anúncio de mudanças na Esplanada dos Ministérios.
O encontro deve reunir os atuais ministros e os futuros integrantes do governo a partir do próximo mês. A debandada de cerca de 20 titulares para disputar as eleições é vista como recorde na Esplanada dos Ministérios.
Na última desincompatibilização, em março de 2022, dez ministros deixaram os cargos no governo Jair Bolsonaro para disputar as eleições daquele ano. Pela legislação eleitoral, ocupantes de cargos públicos, como ministros de Estado, precisam se afastar das funções para concorrer. Neste ano, o prazo termina no próximo sábado (4).
A maior parte dos ministérios deve ser assumida por secretários-executivos, integrantes do segundo escalão responsáveis por dar sustentação técnica à atuação política dos ministros.
Algumas mudanças já foram antecipadas publicamente por Lula. Nessa segunda-feira (30), o presidente indicou que o atual secretário-executivo do Ministério da Educação, Leonardo Barchini, deve assumir o comando da pasta diante da saída de Camilo Santana, que tem futuro político ainda indefinido.
Também nessa segunda, a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, se emocionou durante uma coletiva de imprensa de despedida dos servidores da pasta, que comanda desde o início do terceiro governo Lula.
Tebet confirmou ainda que já vem tratando da transição no ministério com o sucessor, mas afirmou que o anúncio do novo titular será feito exclusivamente pelo presidente.
Outra integrante do governo que se despediu nessa segunda foi a titular da SRI (Secretaria de Relações Institucionais), Gleisi Hoffmann, que confirmou que deixará o cargo na quarta-feira (1º) para disputar uma vaga ao Senado pelo Paraná.
Questionada sobre quem será seu sucessor, Gleisi afirmou que o nome ainda "não está definido".
Outros integrantes do governo já haviam sinalizado previamente a intenção de deixar os cargos para disputar as eleições de 2026 em diferentes postos. O ministro dos Transportes, Renan Filho, por exemplo, mira o governo de Alagoas e deve deixar a gestão Lula ainda nesta semana.
O ministro da Casa Civil Rui Costa, ex-governador da Bahia, é cotado para disputar uma cadeira pelo PT ao Senado. Seu último anúncio como ministro está previsto para quinta-feira (2), quando participará, ao lado de Lula, da entrega de unidades do programa Minha Casa, Minha Vida, em Salvador.
Já de olho na Câmara, o ministro Paulo Teixeira, do Desenvolvimento Agrário, deve concorrer a deputado federal por São Paulo. Segundo a pasta, ele será substituído por Fernanda Machiaveli, que se tornará a primeira mulher a ocupar o cargo.
A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, também confirmou que deixará o comando da pasta para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados nas eleições de 2026.