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Ciro Marques


Política

"Puxou pelo braço e a virou de costas para si e pressionou o quadril": A denúncia contra o ministro do STJ

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Reportagem da CNN Brasil revelou os momentos de terror narrados pela jovem de 18 anos, que denunciou ter sido assediada sexualmente pelo ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Marco Aurélio Buzzi. O caso aconteceu durante uma viagem em família a Balneário Camboriú, no litoral de Santa Catarina. 

Na narrativa da jovem, ela afirma o seguinte: 

1) Descrição do contato físico no mar:
“Marco a puxou pelo braço e a virou de costas para si e pressionou o quadril e nádegas da declarante contra o seu pênis… [e] passou a mão em suas nádegas.”

2) A fala atribuída ao ministro durante o ato:
“…e a afirmou que a achava ‘muito bonita’.”

3) A frase interpretada como intimidação após o episódio:
“Você é muito sincera, deveria ser menos. Isso pode te prejudicar.”

4) O contexto de afastamento do grupo para um ponto mais distante da praia:
A sugestão de ir cerca de 400 metros adiante, com a justificativa de mar “mais tranquilo”, e a “estranheza” registrada pela jovem.

Ainda de acordo com a vítima, o episódio teria ocorrido em 9 de janeiro, quando ela estava com os pais e com a família do magistrado.

No relato, a jovem afirma que o grupo decidiu ir à Praia do Estaleiro, perto do condomínio onde estavam hospedados. Ela diz que, antes da chegada dos demais, acabou indo com o ministro para a praia porque o pai participava de uma reunião online e a mãe aguardava a esposa de Buzzi terminar alguns afazeres. Já na areia, segundo a jovem, o ministro a convidou para entrar no mar e sugeriu que caminhassem até um ponto a cerca de 400 metros do local onde estavam, sob o argumento de que ali o mar estaria “mais tranquilo”. A jovem disse que a proposta lhe causou estranheza, porque, na avaliação dela, o mar não estava revolto onde estavam.

Ainda conforme o depoimento, quando os dois já estavam dentro d’água, o ministro teria dito estar com frio e apontado para duas pessoas no mar, comentando: “Deve ser por isso que eles estão abraçados”. Em seguida, segundo a jovem, ele a puxou pelo braço e a colocou de costas, pressionando o corpo dela contra o dele.

O trecho central do depoimento descreve que o ministro teria pressionado o quadril e as nádegas da jovem contra seu corpo e dito que a achava “muito bonita”. Ela afirma que tentou se desvencilhar, mas que teria sido puxada de volta e apalpada. No relato, a jovem diz que conseguiu se afastar e que ele ainda tentou aproximá-la outras vezes, sem sucesso.

A jovem também declarou que, após o episódio, o ministro teria feito um comentário que ela entendeu como intimidação: “Você é muito sincera, deveria ser menos. Isso pode te prejudicar”. Ao saírem do mar, segundo o depoimento, caminharam de volta ao guarda-sol e o ministro perguntou se a mãe dela já havia chegado. Ao saber que sim, teria dito que faria uma “caminhada até o final da praia”. A jovem conta que, ao reencontrar a família, afirmou que não queria mais ficar na praia e que “precisava trabalhar”; cobriu-se com uma toalha e voltou ao condomínio, onde relatou o que aconteceu aos pais. A família, segundo ela, decidiu retornar para São Paulo.

No depoimento, a jovem afirma que via o ministro como um “avô” e que, desde então, passou a ter dificuldades para dormir e pesadelos constantes. Ela diz estar em acompanhamento psicológico e psiquiátrico.

O ministro nega a acusação. Em nota, a defesa afirmou que “vazamentos instantâneos de informações sigilosas sobre fatos não verificados é um truque sórdido” e pediu serenidade e respeito ao devido processo legal. Após a denúncia vir a público, Buzzi apresentou atestado e pediu licença, relatando dores no peito e internação no hospital DF Star, em Brasília. Na quarta-feira (4), o plenário do STJ se reuniu em sessão extraordinária e decidiu, por unanimidade, instaurar sindicância para apurar as acusações, com comissão formada pelos ministros Raul Araújo, Isabel Gallotti e Antonio Carlos Ferreira. A defesa da jovem afirmou aguardar rigor nas apurações.

 

 

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