As negociações para uma nova tentativa de acordo de delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro foram retomadas na última semana com reuniões entre seus advogados, integrantes da Procuradoria-Geral da República (PGR) e delegados da Polícia Federal. Apesar da retomada das conversas, ainda não houve avanços concretos sobre os termos da colaboração.
A notícia é da colunista Malu Gaspar, do O Globo. Segundo informações dos bastidores, a principal exigência apresentada por investigadores é que Vorcaro abandone a postura defensiva e assuma responsabilidade pelos crimes investigados. A avaliação da PGR e da PF é que a proposta anterior, rejeitada em maio, foi insuficiente por omitir fatos já conhecidos pelas autoridades e preservar personagens considerados relevantes para as apurações.
Entre os pontos criticados estavam a falta de detalhes sobre supostos pagamentos ao senador Ciro Nogueira (PP-PI) e a ausência de informações mais aprofundadas sobre a influência do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, em investimentos ligados ao Banco Master. Investigadores chegaram a classificar um dos anexos da proposta como excessivamente brando em relação ao parlamentar.
De acordo com fontes ligadas às negociações, os órgãos de investigação consideram que uma delação premiada pressupõe a admissão de crimes por parte do colaborador. Sem essa mudança de postura, a inclusão de novos anexos ou informações dificilmente será suficiente para viabilizar um acordo.
Paralelamente, a defesa de Vorcaro tenta reconstruir a relação com o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, relator do caso. Após a rejeição da primeira proposta, o magistrado passou a restringir a comunicação com os advogados do banqueiro ao meio formal, por petições. Agora, a expectativa é que uma nova estratégia de colaboração possa destravar as negociações e abrir caminho para um eventual acordo com as autoridades.