O presidente Lula (PT) conversou nesta quarta-feira, 14, por telefone, com o ditador russo, Vladimir Putin. A informação é do O Antagonista.
Em comunicado, o Kremlin afirmou que os líderes trocaram opiniões sobre questões internacionais da atualidade, com foco na situação da Venezuela.
“Enfatizaram que a Rússia e o Brasil compartilham posições fundamentais quanto à garantia da soberania e dos interesses nacionais da República Bolivariana. Além disso, concordaram em continuar coordenando seus esforços, inclusive no âmbito da ONU e por meio do BRICS, com o objetivo de reduzir as tensões na América Latina e em outras regiões do mundo”, disse.
Lula e Putin também tiveram uma “discussão aprofundada” sobre questões pertinentes ao desenvolvimento das relações bilaterais entre os dois países, “tendo em vista a próxima reunião da Comissão de Alto Nível de Cooperação Russo-Brasileira, a ser realizada em fevereiro de 2026.”
Alinhamento
Não é apenas em relação à “soberania” da Venezuela que Brasília e Moscou demonstram entendimento.
Os dois países também estão alinhados em relação aos protestos no Irã.
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, condenou na terça-feira, 13, a “interferência externa subversiva nos processos políticos internos do Irã”, referindo-se aos Estados Unidos.
“É particularmente notável que as autoridades iranianas tenham demonstrado disposição para um diálogo construtivo com a sociedade, visando identificar maneiras eficazes de mitigar as consequências socioeconômicas adversas das políticas hostis do Ocidente”, acrescentou.
“As ameaças vindas de Washington sobre novos ataques militares contra a República Islâmica são categoricamente inaceitáveis. Aqueles que cogitam explorar a instabilidade instigada externamente como pretexto para repetir a agressão contra o Irã, como a ocorrida em junho de 2025, devem estar plenamente cientes das graves consequências que tais ações acarretariam para o Oriente Médio e para a segurança internacional global”, continuou.
No mesmo dia, o Itamaraty publicou uma nota dizendo acompanhar “com preocupação” a evolução das manifestações que ocorrem, desde o dia 28 de dezembro, em diversas localidades do Irã.
Sem mencionar os EUA, a pasta afirmou que “cabe apenas aos iranianos decidir, de maneira soberana, sobre o futuro de seu país”, instando todos os atores “a se engajarem em diálogo pacífico, substantivo e construtivo”.
Mortos em protestos no Irã
Apesar das narrativas de Brasil e Rússia, o regime do Irã tem repreendido violentamente os protestos iniciados em dezembro.
A organização de direitos humanos HRANA, sediada nos EUA, disse ter verificado a morte de 2.403 manifestantes e 147 indivíduos ligados ao regime.
Já a ONG Iran Human Rights, sediada na Noruega, fala em pelo menos 734 manifestantes mortos, incluindo doze menores de 18 anos e seis mulheres, e milhares de feridos.