O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teve pelo menos mais um encontro presencial com o banqueiro Daniel Vorcaro além da reunião de novembro de 2025 que já havia sido admitida publicamente. A informação foi revelada pelo colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, neste sábado (21), e amplia o escândalo envolvendo o pré-candidato à Presidência da República e o ex-dono do Banco Master, já liquidado pelo Banco Central.
Segundo a coluna, o encontro teria ocorrido no primeiro semestre de 2025, em Brasília, na mansão que Vorcaro alugava na capital federal. A reunião aconteceu a portas fechadas e contou apenas com a presença dos dois. Não há informações sobre o teor específico da conversa, mas o timing reforça que as tratativas sobre o financiamento do filme "Dark Horse" se estenderam por um período muito maior do que o senador assumiu publicamente.
A revelação contraria diretamente a versão oficial de Flávio Bolsonaro, que afirmou ter se encontrado com Vorcaro apenas uma vez, em novembro de 2025, em São Paulo, com o objetivo de "encerrar de vez" as negociações sobre o aporte de R$ 134 milhões para a produção do longa-metragem sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Antes disso, o parlamentar chegou a negar que sequer conhecia o banqueiro — versão que desmoronou à medida que novas evidências surgiram.
O caso se torna ainda mais delicado porque o Banco Master está no centro de investigações sobre fraudes financeiras milionárias. Daniel Vorcaro é acusado de usar a instituição para operações suspeitas, incluindo o financiamento de projetos políticos e culturais de interesse de diferentes grupos. Lauro Jardim destacou, com ironia, que a mansão em Brasília que serviu de palco para o encontro com Flávio também teria recebido o ministro Alexandre de Moraes, do STF — figura que protagoniza embates políticos e jurídicos com a família Bolsonaro.
Com a nova revelação, a situação política e jurídica de Flávio Bolsonaro se complica ainda mais justamente no momento em que tenta pavimentar sua candidatura à Presidência em 2026. O histórico de versões contraditórias — que foi de "não conhecer" Vorcaro até admitir reuniões para cobrar pagamentos milionários — coloca em xeque a credibilidade do senador e pode ter desdobramentos nas investigações que apuram o destino dos recursos do Banco Master.