O tom dramático adotado pelos dirigentes esportivos no Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar salvar o patrocínio das casas de apostas não convenceu os analistas financeiros. Especialistas em marketing e gestão rebateram o discurso de calamidade dos clubes, apontando que o verdadeiro vilão do futebol brasileiro não é a proibição das "bets", mas sim a histórica irresponsabilidade administrativa dos cartolas.
A informação é do UOL. Durante a audiência, representantes de equipes chegaram a prever demissões e o fim de investimentos na base e no futebol feminino. Embora a CBF projete um rombo real de R$ 420 milhões para 2027, o economista Cesar Grafietti avalia que o problema central foi o mau uso desse capital enquanto ele jorrava. Segundo o consultor, os milhões injetados não melhoraram o nível técnico do Brasileirão, servindo apenas para inflacionar elencos e alimentar uma necessidade incontrolável de gastos sem lastro.
A falta de criatividade no mercado também foi alvo de duras críticas. Para Amir Somoggi, diretor da Sports Value, a enxurrada de cifras se transformou em um "dinheiro fácil" que acomodou os departamentos de marketing. Reféns de um único segmento, as equipes deixaram de explorar patrocínios em novos setores, como varejo e saúde. "Os clubes são viciados em dinheiro, estão sempre alavancados, endividados para vender o almoço para pagar o jantar", disparou o analista em entrevista ao UOL.
Embora reconheçam o direito das instituições de buscarem segurança jurídica para os acordos já firmados, os especialistas reforçam que o debate não pode ignorar a epidemia social do vício em jogos que motivou o veto estatal. Como resumiu o consultor Fábio Wolff, o esporte precisa arcar com sua responsabilidade perante a sociedade, lembrando aos dirigentes que um contrato de patrocínio deve ser apenas uma fonte de receita, e não uma muleta estrutural para encobrir administrações deficitárias.