O dólar comercial e as aplicações de renda fixa pós-fixada tiveram os maiores retornos entre os investimentos em outubro. Enquanto a moeda americana subiu 5,22% e produtos como Tesouro Selic e CDBs pós-fixados registraram ganhos, o Ibovespa encerrou o mês com queda de 9,88%. Bitcoin e títulos públicos de longo prazo atrelados à inflação também ficaram entre os destaques negativos.
O dólar fechou outubro a R$ 5,444, superando R$ 5,40 pela primeira vez desde dezembro de 2025, quando terminou cotado a R$ 5,489. A valorização mensal reduziu a perda acumulada da moeda em 2026 para 0,82%. Em maio, a desvalorização diante do real ultrapassava 10%.
Na Bolsa brasileira, o Ibovespa terminou aos 167.921 pontos, ante 186.350 pontos no encerramento de setembro. Depois de superar os 200 mil pontos pela primeira vez, o índice perdeu mais de 18% na última semana de outubro. Apesar do resultado mensal, ainda acumula valorização de 4,21% no ano.
A reversão ocorreu após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Até o segundo turno, o Ibovespa avançava 10,06% no mês, enquanto o dólar recuava 3,5% e era negociado abaixo de R$ 5. Para Rebecca Nossig, estrategista da Nomad, a retração foi impulsionada principalmente pelas incertezas sobre a política fiscal e a trajetória dos gastos públicos após a eleição.
Fundos imobiliários, ouro e bitcoin também registram perdas
Os fundos imobiliários acompanharam o movimento de queda. O IFIX, índice que reúne os fundos negociados na B3, recuou 2,89%, passando de 3.755 para 3.646 pontos. O resultado ampliou as perdas do indicador, que já acumulava baixa de 0,53% até setembro.
No mercado internacional, o ouro caiu 6,78% em outubro. A onça-troy, equivalente a 31,1 gramas, passou de US$ 4.157,34 para US$ 3.875,55, acumulando recuo de 10% em 2026. O bitcoin perdeu 8,11% no mês e era negociado a US$ 76.829,56 às 18h do dia 30. Como a criptomoeda é negociada continuamente, esse valor representa um recorte da cotação, e não um fechamento. No ano, a queda chegava a 12,31%.
As perdas do ouro e do bitcoin estiveram relacionadas à expectativa de nova alta dos juros nos Estados Unidos em dezembro, após dados de inflação e do Produto Interno Bruto americano acima do esperado. Esse movimento levou investidores a trocar o metal e as criptomoedas por títulos do Tesouro dos Estados Unidos, sem relação com a eleição brasileira.
Para o Ibovespa, Felipe Rodrigo de Oliveira, economista-chefe da MAG Investimentos, avalia que a queda pode dar lugar a uma estabilização. O recuo levou o índice de volta a um nível próximo ao de agosto. “Entendemos que o Ibovespa teve uma boa correção e agora deve apresentar certa acomodação”, afirmou.