Um ano após o ataque que chocou o RN, o homem acusado de espancar a namorada dentro de um elevador, em Natal, tenta impedir o avanço do processo que pode levá-lo a julgamento pelo Tribunal do Júri. Com informações do Novo Notícias.
Igor Eduardo Pereira Cabral, ex-jogador de basquete, responde por tentativa de feminicídio contra a promotora de vendas Juliana Garcia dos Santos Soares. A defesa recorreu ao Tribunal de Justiça do RN (TJRN) e pede a anulação do processo, segundo informações do portal BnewsRN.
O caso aconteceu em 26 de julho de 2025, em um condomínio na Zona Sul de Natal. Imagens das câmeras de segurança registraram o momento em que Juliana foi atingida por 61 socos em menos de um minuto dentro do elevador.
A gravação teve ampla repercussão e o acusado foi preso em flagrante ainda no local. Desde então, Igor Cabral permanece detido na Cadeia Pública Dinorá Simas, em Ceará-Mirim, enquanto aguarda o andamento da ação penal.
Em primeira instância, a Justiça decidiu que o caso deve ser submetido ao Tribunal do Júri. A 1ª Vara Criminal de Natal rejeitou o pedido da defesa para desclassificar a acusação de tentativa de feminicídio para lesão corporal.
Na decisão, o juízo considerou que a violência das agressões, concentradas na cabeça e no rosto da vítima, indicaria, em tese, elementos suficientes para impedir, naquele momento do processo, o afastamento da hipótese de intenção de matar.
Agora, a defesa tenta anular o processo ao alegar uma suposta irregularidade na fase de apresentação das alegações finais. Segundo os advogados, houve falha no prazo concedido para a manifestação da assistente de acusação.
O juízo da 1ª Vara Criminal informou ao TJRN que a assistente de acusação não apresentou alegações e afirmou que a defesa poderia ratificar ou alterar seus argumentos caso houvesse manifestação. O recurso será analisado pela Câmara Criminal do Tribunal de Justiça.
O julgamento pelo Tribunal do Júri só poderá ser marcado após o encerramento das possibilidades de recurso contra a decisão que determinou que Igor Cabral seja levado a julgamento.
Tentativa de feminicídio
Juliana Garcia, de 35 anos, foi agredida após uma discussão com Igor Cabral dentro do elevador do condomínio onde morava. Após o ataque, moradores conseguiram conter o acusado até a chegada da Polícia Militar. Juliana foi levada ao Pronto-Socorro Clóvis Sarinho com fraturas no rosto, deslocamento da mandíbula e perda parcial da visão.
O caso também gerou mudanças legislativas em municípios potiguares. Câmaras municipais aprovaram medidas que passaram a ser conhecidas como “Lei Juliana”, com regras relacionadas à proteção de mulheres vítimas de violência e restrições para condenados por feminicídio assumirem cargos públicos.