Já pensou?
Uma influencer de conteúdo adulto, de 25 anos, afirma ter conseguido um visto dos Estados Unidos reservado a pessoas com “habilidades e feitos extraordinários”. Não é roteiro de série, é relato real. Julia Ain diz que teve o visto O-1B aprovado após enviar às autoridades americanas um vídeo em que corta um sanduíche de pastrami usando um decote chamativo. Que situação.
Segundo ela mesma contou ao The Times, o vídeo foi, de fato, analisado pelo governo dos EUA. E aí vem a pergunta inevitável: o que, afinal, define um “talento extraordinário” nos dias de hoje? Já pensou explicar isso em uma fila de imigração?
Criado nos anos 1970, em meio à polêmica envolvendo John Lennon, o visto O-1 nasceu para manter gênios, artistas e figuras excepcionais em solo americano. Com o tempo, virou política oficial e passou a contemplar cientistas, atletas, empresários e artistas reconhecidos internacionalmente. Gente como Justin Bieber, Drake, Pelé e Gisele Bündchen.
Agora, corte para 2026: influencers e modelos de conteúdo adulto lideram os pedidos desse mesmo visto. Coincidência? Mudança de valores? Ou apenas mais um sinal de como fama, visibilidade e alcance digital passaram a pesar tanto quanto diplomas e prêmios?
Em tese, o O-1B exige reconhecimento contínuo e histórico de realizações relevantes. Na prática, o critério parece cada vez mais elástico. Já pensou no constrangimento de quem passa anos tentando provar excelência acadêmica ou artística enquanto outro candidato envia um vídeo viral e recebe o carimbo?
