O ministro da Fazenda Fernando Haddad indicou a pessoas próximas que está disposto a concorrer ao governo de São Paulo nas eleições de 2026. O sinal foi dado nos últimos dias, e coincide com um jantar marcado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para esta quinta-feira, 26. A informação é do O Antagonista.
A mudança de postura encerra meses de resistência pública do ministro, que afirmava não ter interesse em disputar cargos eletivos e cogitava atuar na campanha presidencial de Lula ou retomar a carreira acadêmica.
A pressão do PT
Lula trabalhou nos bastidores para convencer Haddad, tanto em conversas reservadas quanto em declarações abertas à imprensa. Em fevereiro, o presidente disse ao portal UOL que o ministro sabia que tinha “um papel para cumprir em São Paulo”.
Segundo fontes ouvidas por O Antagonista, integrantes do PT nunca descartaram a candidatura, mesmo diante das negativas do ministro. A avaliação interna era de que Haddad não teria como recusar um pedido direto de Lula e que, do ponto de vista político, a candidatura seria inevitável.
Ministros como Camilo Santana, da Educação, e Gleisi Hoffmann, das Relações Institucionais, fizeram declarações públicas no mesmo sentido. “Todos têm que entrar em campo, vestir a camisa e fazer o melhor que sabem fazer na disputa eleitoral”, afirmou Gleisi em entrevista a jornalistas.
Cálculo eleitoral
A lógica do PT para SP vai além da disputa pelo governo estadual. Para aliados de Lula, ter uma candidatura competitiva em São Paulo é condição para consolidar o palanque do presidente no estado mais populoso do país.
A meta não é necessariamente a vitória, mas forçar um segundo turno e manter um nome do campo governista em campanha até a votação decisiva. O desempenho de Lula em São Paulo em 2022 é apontado pela cúpula do PT como um dos fatores que definiram a eleição presidencial.
Do lado oposto, o governador Tarcísio de Freitas, do Republicanos, deve disputar a reeleição como favorito. Ele tende a apoiar a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, do PL – cuja ascensão nas pesquisas de opinião é apontada como um dos fatores que aceleraram a decisão de Haddad.