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Esporte

Ex-jogador do Flamengo é acusado de intermediar diplomas falsos para astros do futebol

Mancuso com Felipe Melo, quando este ainda jogava pelo Fluminense; e Thiago Silva — Foto: Reprodução

Uma investigação revelou um suposto esquema de venda de licenças falsas para ex-jogadores que pretendiam obter certificações de treinador na Argentina. Entre os nomes citados estão Thiago Silva, Luiz Gustavo, Diego Lugano, Roberto Carlos, Felipe Melo, Alex de Souza, Dejan Petkovic, Paulinho e Paolo Guerrero. Segundo a apuração da jornalista Joanna de Assis, do Uol, os atletas pagavam valores que podiam chegar a R$ 100 mil para receber, sem cumprir a formação exigida, as licenças C, B, A e PRO da Associação de Técnicos de Futebol Argentino (ATFA).

O principal intermediário apontado na investigação é Alejandro Mancuso, ex-jogador com passagens por Flamengo e Palmeiras e que trabalhou como auxiliar de Diego Maradona na seleção argentina durante a Copa do Mundo de 2010. Ele oferecia aos atletas um suposto “trâmite urgente” e afirmava possuir autorização para facilitar a obtenção dos documentos. Áudios e mensagens obtidos pela reportagem mostram Mancuso dizendo que dirigentes e o departamento jurídico da ATFA estariam envolvidos na operação.

A ATFA, porém, nega qualquer participação no esquema. A entidade afirma que Mancuso nunca integrou sua diretoria, não possuía vínculo contratual ou autorização para emitir certificados e que os documentos entregues aos jogadores não correspondem aos oficiais. Alguns dos ex-atletas confirmaram ter negociado com Mancuso, mas alegaram ter acreditado que estavam contratando cursos, homologação da carreira ou um procedimento autorizado. Thiago Silva, por exemplo, disse que pagou por cursos que não foram realizados e que recebeu os certificados no fim de 2023, sem jamais utilizá-los.

Felipe Melo afirmou ter desconfiado do negócio ao não conseguir marcar as aulas presenciais e posteriormente recuperou o dinheiro. Petkovic confirmou a negociação e disse não ter concluído a etapa presencial, enquanto Roberto Carlos recebeu licenças e uma carteirinha pelo correio, mas nunca utilizou os documentos. Luiz Gustavo relatou ter percebido inconsistências nos históricos de avaliação, e Alex de Souza, que já havia concluído os cursos da CBF Academy, disse que não utilizou nem tentou homologar o certificado argentino, que trazia até um erro ao identificar o futebol como “futsal”. Diego Lugano também confirmou a aquisição, afirmando ter feito apenas a parte teórica.

O caso ainda foi investigado na Argentina, com uma operação de busca e apreensão na sede da ATFA em 2025. Segundo a entidade, não foram encontrados documentos que comprovassem emissão irregular dentro da associação, e o processo acabou arquivado pela Justiça Federal Criminal e Correcional em dezembro daquele ano por inexistência de crime. Mancuso nega ter vendido licenças falsas ou recebido dinheiro dos jogadores. Ele afirma que apenas orientava atletas interessados na formação argentina e que não possuía vínculo com a ATFA.

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