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Brasil

Digimais usou “modelo operativo” adotado pelo Banco Master, diz PF

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A representação da Polícia Federal (PF) que fundamentou a operação contra o Banco Digimais, deflagrada nesta terça-feira (23/6), aponta que a instituição do bispo evangélico Edir Macedo seguiu o mesmo modus operandi do Banco Master, pivô de um dos maiores escândalos financeiros da história do país.

A noticia é de RODRIGO TAMMARO. Os policiais cumprem nove mandados de busca e apreensão contra alvos ligados ao Digimais. O bispo não foi alvo dos mandados por residir no exterior, mas teve a quebra de sigilo e o bloqueio de bens decretados pela Justiça. Ao todo, foram bloqueados mais de R$ 670 milhões de 10 dos alvos da operação.

Segundo a investigação, os alvos teriam manipulado demonstrativos contábeis e registros regulatórios para ocultar a real situação financeira do Banco Digimais. O objetivo seria criar uma aparência de solvência para burlar a fiscalização dos órgãos de controle e viabilizar operações supostamente irregulares.

No documento, a PF aponta que o banco controlado por Edir Macedo “adotou práticas financeiras temerárias e estreitamente análogas às do extinto Banco Master”. Segundo a corporação, a instituição de Daniel Vorcaro implementou um modelo de captação massiva de recursos, atraindo clientes a partir da emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com taxas de retorno muito superiores às praticadas no mercado.

A representação destaca ainda que tal captação não possuía lastro e sustentou-se na expectativa de cobertura por parte do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), instituição criada para proteger depositantes e investidores em caso de quebra da instituição. De acordo com a PF, isso demonstra que “a gestão utilizou a garantia coletiva para captar liquidez, ocultar o passivo a descoberto e transferir o risco da operação para o sistema financeiro”.

O caso do Banco Master é citado no documento, porque, segundo a corporação, contagiou o mercado, funcionou como paradigma para outras instituições financeiras e resume o “modus operandi atualmente sob investigação no Banco Digimais”.

A Polícia Federal cita também outros pontos de convergência entre o Digimais e o Master. O documento lembra que, em janeiro de 2025, o ex-sócio e executivo do Banco Master, Maurício Antonio Quadrado, tentou adquirir o Banco Digimais por meio da holding Bluebank. A operação, no entanto, foi vetada pelo Banco Central devido aos riscos associados.

Além disso, o Digimais alocou cerca de R$ 600 milhões em carteiras de direitos creditórios vinculadas ao Banco Master. A PF aponta que a manutenção desses créditos de “origem duvidosa”, somada à captação agressiva de recursos com taxas acima do mercado, sugere a ocorrência de gestão temerária ou fraudulenta por parte da instituição de Edir Macedo.

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