Antes de ter a vida drasticamente alterada após complicações em uma cirurgia considerada de baixo risco, a servidora pública do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) Camila Nogueira, de 38 anos, não tinha histórico de doenças e era considerada saudável. Em 27 de agosto de 2025, ela deu entrada no hospital caminhando e consciente para realizar a retirada da vesícula e correção de hérnia.
Segundo o marido, Paulo Menezes, durante o procedimento Camila sofreu uma parada cardiorrespiratória e danos cerebrais irreversíveis. Hoje, mãe de Marina, de 2 anos, e Arthur, de 6, ela permanece acamada em uma UTI, alternando entre estado neurovegetativo e minimamente consciente.
A família atribui o caso a negligência médica e, em dezembro, entrou com representação no Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) pedindo o afastamento e a cassação do registro das médicas responsáveis: a anestesista Mariana Parahyba e as cirurgiãs Clarissa Guedes e Danielle Teti.
De acordo com a representação, Camila apresentava episódios de apneia durante a cirurgia, mas os alarmes dos equipamentos teriam sido ignorados por 1 minuto e 42 segundos. O documento aponta que ela ficou cerca de 15 minutos em sofrimento respiratório, evoluiu para parada cardiorrespiratória às 11h16, identificada pela equipe apenas às 11h18, e só foi reanimada às 11h33, já com sequelas neurológicas permanentes causadas pela falta prolongada de oxigenação.
O pai de Camila, o desembargador Roberto Wanderley Nogueira, do TRF-5, afirmou que a suposta irresponsabilidade médica destruiu a família. A coluna tenta contato com as defesas das profissionais citadas. O Cremepe informou que denúncias e sindicâncias correm em sigilo, conforme o Código de Processo Ético-Profissional.