O falso médico Marcos Phelipe de Barros (imagem de destaque), preso nesta terça-feira (26) investigado por envolvimento na morte de nove pacientes no Hospital Jardim Helena, em São Miguel Paulista, na zona leste de São Paulo, aplicou uma injeção de Mounjaro em uma mulher no meio da rua, segundo a Polícia Civil. Com informações do Metrópoles.
Imagens obtidas pelo Metrópoles mostram o criminoso encontrando a paciente na calçada de um condomínio. Eles se abraçam e caminham em direção a um carro. A mulher tira a blusa e o suspeito aplica a injeção no braço direito dela. Os dois se abraçam novamente e o homem volta para o condomínio.
De acordo com a polícia, Marcos Phelipe utilizava a identidade falsa de Nicolas Joseph de La Mata, o nome de um verdadeiro médico de Catanduva, interior de São Paulo, e “fazia bicos principalmente de questão estética”. O médico real teve seu registro e certificado copiado pelo criminoso e não tinha conhecimento dos crimes, segundo a corporação.
Marcos Phelipe e outro falso médico identificado como Mike foram alvo de uma operação feita pela Polícia Civil nesta terça-feira (26/5). A polícia conseguiu prender o primeiro suspeito, porém Mike está foragido no Chile. Durante a operação também foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão na capital paulista e na Grande São Paulo.
Pacientes morreram por “mau atendimento”
De acordo com a investigação, os dois homens atuavam como falsos médicos no hospital particular Jardim Helena. Eles são apontados como responsáveis por cerca de 2 mil atendimentos na unidade ao longo de dois anos, com nove mortes decorrentes de mau atendimento.
É o caso de uma senhora que chegou ao hospital com problemas no coração e foi atendida por um dos criminosos. A paciente estava com um aneurisma na aorta, porém ficou oito horas sem realizar um exame cardíaco e, por conta do atraso, morreu.
Uma fisioterapeuta também morreu por conta de uma manobra de ressuscitação feita incorretamente por um dos falsos médicos. A mulher estava diagnosticada com dengue e chegou ao hospital com o nível de plaquetas muito baixo.
Ela evoluiu para uma parada cardíaca e os farsantes não souberam como ressuscitar a mulher. Eles tentaram realizar uma manobra de ressuscitação, porém foi mal executada e causou uma série de lesões internas na fisioterapeuta, que acabou morrendo.
Hospital também é investigado
Segundo o delegado José Mariano de Araújo Filho, titular do 22° Distrito Policial (São Miguel Paulista) e responsável pelo caso, há indícios de omissão e negligência do Hospital Jardim Helena, além de suspeitas de lavagem de dinheiro. A gestora operacional e o diretor clínico da unidade foram afastados por ordem judicial.
O delegado afirmou em coletiva à jornalistas que a direção do hospital já havia sido alertada por funcionários sobre o atendimento incorreto dos falsos médicos. Os colaboradores da unidade argumentaram que os criminosos eram “extremamente infantis, experientes e queriam que funcionários como, por exemplo, enfermeiros de nível superior prestassem atendimento enquanto eles ficam dormindo”, segundo a polícia.
Entenda a investigação
- Segundo o delegado-geral da Polícia Civil, Artur Dian, a investigação começou através de um disk-denúncia, no ano passado.
- Em dezembro de 2025, o 22° DP constatou que um médico no Hospital Jardim Helena praticava medicina ilegal e montou uma operação para prender o suspeito.
- Identificado como Mike, o suspeito, porém, fugiu para o Chile. Ele utilizava o registro de um verdadeiro médico, também chamado Mike, de Catanduva.
- Posteriormente, a investigação identificou outro indivíduo, Marcos Phelipe, que atuava como falso médico no hospital.
- O homem foi preso nesta terça-feira (26/5) pelos policiais do 22° DP.
- A Polícia Civil também pediu o afastamento da gestão do hospital para apurar possível omissão e envolvimento no crime.
- Agora, a investigação segue em busca do falso médico foragido no Chile.