A descoberta foi feita em ostras frescas comercializadas nos estados de São Paulo e Santa Catarina. Além da nova bactéria, o estudo encontrou cepas resistentes de Klebsiella pneumoniae e Escherichia coli, microrganismos associados a infecções em humanos.
Segundo os pesquisadores, as ostras são consideradas importantes indicadores da qualidade ambiental porque filtram grandes volumes de água e acumulam substâncias presentes no ambiente, como bactérias, vírus, resíduos de medicamentos e metais pesados. Em parte das amostras analisadas, também foram encontrados níveis de arsênio acima dos limites recomendados.
A resistência antimicrobiana é apontada pela OMS como uma das maiores ameaças à saúde global. O fenômeno ocorre quando bactérias desenvolvem mecanismos que reduzem ou anulam a eficácia dos antibióticos, dificultando o tratamento de infecções.
Especialistas alertam que o uso excessivo de antibióticos na medicina, na pecuária e na aquicultura contribui para o surgimento dessas bactérias resistentes. No Brasil, casos de superbactérias já são registrados há anos em hospitais, mas a identificação desses microrganismos em alimentos amplia a preocupação das autoridades sanitárias.
Os pesquisadores destacam que os atuais protocolos de inspeção de pescados verificam a presença de bactérias causadoras de doenças, mas não exigem análises sobre resistência a antibióticos. Além disso, peixes e moluscos ainda não fazem parte dos programas nacionais de monitoramento da resistência antimicrobiana no setor agropecuário.
O estudo também alerta para possíveis impactos econômicos, já que a presença de bactérias resistentes em pescados pode afetar as exportações brasileiras para mercados que possuem regras mais rígidas de controle sanitário, como os Estados Unidos e a União Europeia.