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PT reúne 100 assinaturas para abrir CPI contra Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República  • 19 de maio de 2026REUTERS/Mateus Bonomi

O PT reuniu 100 assinaturas nesta terça-feira (20) para pedir a abertura de uma CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) para investigar suspeitas envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o advogado Willer Tomaz. O requerimento foi apresentado pelos líderes do partido na Câmara, Pedro Uczai(SC), e no Senado, Camilo Santana (CE).

Segundo Uczai, a iniciativa busca garantir transparência e isonomia nas investigações. O deputado afirmou que integrantes do PT também assinaram o pedido de CPMI apresentado pela oposição para apurar suspeitas envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva(PT), e a lobista Roberta Luchsinger. Uczai defendeu que as suspeitas envolvendo os 2 grupos políticos sejam investigadas e que os sigilos dos envolvidos sejam abertos.

“Nós queremos transparência dos 2 lados. Tem que abrir o sigilo bancário e tem que fazer as duas CPIs”, declarou Uczai a jornalistas.

A declaração ocorre no contexto de um desafio lançado por Lula a Flávio durante debate promovido pela Band, em 18 de outubro, em São Paulo. Na ocasião, o presidente propôs que os 2 candidatos autorizassem a abertura de seus sigilos bancário e telefônico.

Até as 16h desta 3ª feira, o requerimento contra Flávio contava com 85 assinaturas de deputados e 15 de senadores. Para instalar uma CPMI, são necessárias pelo menos 198 assinaturas: 171 de deputados e 27 de senadores.

Uczai também cobrou que integrantes da oposição apoiem o pedido apresentado pelo PT. Para o deputado petista, as duas comissões podem contribuir para esclarecer suspeitas sem distinção entre os grupos políticos envolvidos.

Financiamento de “Dark Horse”

Um dos principais eixos do requerimento é a negociação de aportes que poderiam chegar a cerca de R$ 134 milhões, para financiar “Dark Horse”, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Flávio negociou os recursos com Vorcaro.

O documento cita 7 remessas ao fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas, nos Estados Unidos, de fevereiro a setembro de 2025. De acordo com o requerimento, as transferências somaram US$ 12,3 milhões e foram feitas a pedido de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro.

Os autores querem apurar a origem, a circulação e a destinação dos recursos. Também pedem que seja investigada a hipótese de parte do dinheiro ter custeado a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos e sua atuação junto a autoridades norte-americanas em favor de sanções contra autoridades brasileiras e de tarifas sobre produtos do país.

O requerimento afirma que o liquidante do Banco Master informou à Câmara dos Deputados não ter encontrado registros contábeis ou contratuais de operações da instituição destinadas a financiar ou patrocinar o filme. Menciona também o depoimento de um colaborador à Polícia Federal, segundo o qual a operação foi apresentada como um investimento imobiliário nos Estados Unidos.

Relação com Willer Tomaz

O 2º eixo da proposta envolve as relações financeiras entre Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz. O caso é investigado em um inquérito encaminhado pela Polícia Federal ao Supremo Tribunal Federal em 8 de outubro de 2026 e distribuído ao ministro Alexandre de Moraes. A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado, empresas ligadas a ele e o senador.

Outro ponto é o custeio de viagens de Flávio e de familiares pela Cathedral Holding, acionista única da Rede Loto, operadora de apostas credenciada pela Loteria do Estado do Rio de Janeiro.

O documento cita a movimentação de cerca de R$ 130 milhões, entre março e maio de 2025, em uma conta vinculada ao advogado. Os autores querem apurar se esses fluxos financeiros têm relação com o esquema de descontos indevidos em benefícios do INSS, investigado na operação Sem Desconto, e com o mercado de apostas.

Os autores do requerimento apontam uma possível conexão entre os 2 casos por meio de uma aeronave executiva. Segundo o documento, a Alcazar Holdingsdetém participação no avião do qual Vorcaro também foi cotista e que foi utilizado por Flávio em uma viagem dos Estados Unidos ao Brasil, em janeiro de 2025.

Para os congressistas, esse vínculo justifica investigar as duas frentes de forma conjunta.

Investigação no Congresso

Na justificativa do pedido contra Flávio, os autores argumentam que a existência de inquéritos no STF não impede uma investigação de congressistas, por se tratar de instâncias independentes.

O requerimento estabelece que a CPMI possa solicitar o compartilhamento de informações e elementos já reunidos nos inquéritos, além de requisitar dados a instituições financeiras e buscar cooperação jurídica internacional com Portugal e os Estados Unidos. Também menciona a possibilidade de quebra de sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático, mediante decisão fundamentada do colegiado.

 

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