Mais de 120 médicos que atuam em procedimentos de alta e média complexidade iniciaram, nesta segunda-feira (27), uma paralisação no RN. O movimento ocorre após atraso de até seis meses em repasses financeiros, segundo informações da categoria, e já provoca suspensão de atendimentos em hospitais de referência em Natal e região metropolitana, afetando principalmente pacientes regulados do interior do Estado. Com informações do Novo Notícias.
A paralisação atinge serviços realizados em unidades como Hospital do Coração, Liga Contra o Câncer, Incor e Hospital Varela Santiago, impactando atendimentos de pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) que não são residentes da capital.
Segundo os profissionais, os valores em atraso são de responsabilidade do Governo do Estado, referentes a uma parcela prevista em termo de cooperação com a Secretaria Municipal de Saúde de Natal. Ainda de acordo com a categoria, os pagamentos estariam pendentes desde setembro de 2025, com a última quitação parcial registrada em agosto.
Em reunião realizada na última sexta-feira (24), com participação do Ministério Público, Governo do Estado e Prefeitura de Natal, foi reconhecida a existência da dívida, segundo informações repassadas pelos próprios participantes. Na ocasião, houve sinalização de que parte dos valores poderia ser quitada até o dia 5 de maio, contemplando competências de setembro, outubro e novembro.
Apesar disso, os médicos afirmam que não foram formalmente chamados para a reunião e aguardam posicionamento oficial para avaliar os próximos passos do movimento.
O Conselho Regional de Medicina do RN (Cremern) informou que acompanha a situação e alerta para possíveis impactos na rede assistencial, como aumento de filas e suspensão de cirurgias eletivas. Já o Sindicato dos Médicos do RN (Sinmed) declarou que não foi acionado oficialmente pelas partes envolvidas nem pela categoria para intermediar negociações até o momento.
De acordo com informações dos profissionais, os contratos são de prestação de serviço, sem vínculo empregatício, e a remuneração varia conforme a produção mensal. Eles reforçam ainda que os repasses da Prefeitura de Natal e do Ministério da Saúde estariam em dia, restando em aberto apenas a parcela atribuída ao Orçamento Geral do Estado.