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Política

Nunes Marques diz que pode ser necessário mudar as regras às vésperas da eleição

Nunes Marques | sérgio lima poder 360

A 2 dias do 2º turno das eleições, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, afirmou que, embora não seja o ideal, pode ser necessário mudar as regras às vésperas do pleito. A informação é do Poder 360.

Em entrevista ao jornal O Globo, publicada nesta sexta-feira (23), o ministro falou sobre a sua decisão de não levar adiante uma minuta que pretendia restringir canais de WhatsApp das campanhas nas 48 horas anteriores à abertura das urnas.

Uma eventual proibição de canais do WhatsApp atingiria, entre outros, o Exército do Lula, administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) e que já tem mais de 8,5 milhões de usuários.

Questionado pelas jornalistas Mariana Muniz e Pepita Ortega se uma mudança nas regras às vésperas das eleições poderia ser mal interpretada, Nunes Marques respondeu:

“Às vezes, pode se tornar necessário. As mudanças também podem beneficiar o processo eleitoral. Se surgir uma tecnologia nova, que não esteja abrangida pela resolução, vamos permitir que ela influencie o processo eleitoral ou vamos refletir sobre a possibilidade de restringir seu uso?”, questionou retoricamente.

E acrescentou: “Em condições normais, concordo que o ideal é não mudar as regras. Mas, quando se trata de tecnologia, não podemos afirmar que a regulamentação existente é suficiente para tudo”.

RELAÇÕES COM O BANCO MASTER

O ministro também comentou as mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, do Banco Master, que sugerem a sua participação em uma festa custeada pelo banqueiro com garotas de programa.

Segundo o ministro, são “recortes e retalhos extraídos de celulares de terceiros, de pessoas que eu não conheço e não autorizei que falassem por mim”. E acrescentou: “Sei que há um esforço para me tirar do processo. Pelo que estou vendo, todo esse esforço é para que eu me julgue impedido”.

Questionado pelas jornalistas sobre quem estaria por trás desse esforço, Nunes Marques limitou-se a dizer: “De quem tem interesse nisso”. Questionado novamente sobre quem teria interesse em retirá-lo do caso, disse: “Muita gente, porque ao fim e ao cabo levaria a isso. Esse filme eu já vi acontecer lá atrás com outro colega”.

Nunes Marques disse que nunca teve negócios com Vorcaro, mas não negou que o conhecia socialmente.

“Estão criminalizando o conhecimento social que as pessoas têm. Se quer saber se fiz algum negócio com ele, aí é diferente. Isso nunca existiu. Eu nunca pedi nada a ele. Ele nunca me pediu nada. Agora, se nos encontramos alguma vez em algum lugar, também não tem como saber. Em Brasília, você encontra todo mundo”, declarou.

O ministro também voltou a negar que seu filho teria recebido pagamentos do Master. Mensagens extraídas do celular de Vorcaro pela Polícia Federal mencionam pagamentos de R$ 500 mil mensais a Kevin Marques que, em vez de serem enviados diretamente a ele, seriam repassados por meio da empresa Consult.

“Meu filho nunca recebeu nada do Master e nenhum parente meu jamais advogou para o banqueiro. O sigilo do meu filho foi quebrado indevidamente e ficou comprovado que ele recebeu R$ 281,6 mil (dez parcelas de R$ 28 mil) da Consult, empresa à qual

prestou

serviços jurídicos. Estes são os fatos. Nunca votei a favor de Vorcaro, inclusive dei voto pela manutenção da prisão”, afirmou.

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