Uma mansão no Lago Sul, em Brasília, frequentada por Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e pela lobista Roberta Luchsinger, teve o contrato de aluguel assinado pelo dentista Rafael Nicolau Arbex, que foi testemunha de Fernando Bittar no processo relacionado ao sítio de Atibaia. Segundo informações publicadas pelo jornal O Globo nesta sexta-feira (21), o documento também tinha uma cláusula de confidencialidade. Com informações do Novo Notícias.
A locação da casa foi intermediada, em 2024, pela imobiliária TRK. Segundo a empresa, Roberta Luchsinger participou de visitas ao imóvel e de reuniões sobre o aluguel, mas não apareceu como locatária no contrato.
O documento foi assinado por Arbex. Ainda segundo a imobiliária, depois dessa locação, eventuais novos contratos e negociações passaram a ser tratados diretamente entre o proprietário e os envolvidos, sem participação da empresa.
O proprietário não quis prestar informações à reportagem e afirmou que havia assinado um contrato de confidencialidade. O imóvel fica em um condomínio fechado no Lago Sul, uma das áreas mais valorizadas de Brasília, com acesso restrito a pessoas autorizadas.
A mansão tem 2.110 metros quadrados, piscina, jardim, churrasqueira e um cômodo usado como escritório. Segundo informações de imobiliárias citadas por O Globo, imóveis semelhantes na região têm aluguel médio de aproximadamente R$ 240 mil por ano.
Visitas de Lulinha
Uma ex-funcionária da residência afirmou, em depoimento, que Roberta Luchsinger e Lulinha frequentavam a casa pelo menos duas vezes por mês. Segundo o relato, em algumas ocasiões Lulinha chegava sozinho e permanecia no imóvel por até dois dias.
A ex-funcionária também mencionou a presença de Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula, em uma reunião realizada na mansão. Os relatos sobre as visitas fazem parte das informações reunidas na investigação e não estabelecem, por si só, que tenha ocorrido crime relacionado à locação ou à presença das pessoas no imóvel.
Investigação
Lulinha e Roberta Luchsinger são investigados pela Polícia Federal sob suspeita de tráfico de influência. Roberta também aparece nas investigações sobre suspeitas de fraudes envolvendo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Ela teria prestado serviços ao empresário conhecido como “Careca do INSS” e mantém relação de amizade com Lulinha.
Em maio de 2026, Roberta afirmou que apresentou Lulinha ao empresário por “boa educação” e negou que tivesse feito a aproximação para negócios. Segundo ela, os dois não tiveram transações comerciais.
Mensagens apreendidas na Operação Sem Desconto, porém, registram conversas entre Roberta e Lulinha sobre operações comerciais. Segundo informações divulgadas no âmbito da investigação, os dois também conversaram sobre possibilidades de guardar dinheiro fora do alcance da Receita Federal, com Luxemburgo citado entre os destinos cogitados.
Suspeita de mesada de R$ 300 mil
O Poder360 informou, em dezembro de 2025, que Lulinha era suspeito de ter recebido uma mesada de R$ 300 mil do empresário conhecido como “Careca do INSS”. Segundo o veículo, ele é alvo de três inquéritos, incluindo uma investigação por suspeita de tráfico de influência. As suspeitas são investigadas pelas autoridades e não representam condenação nem comprovam, por si só, a prática de crime.
Defesa de Lulinha
Ao Poder360, o advogado Marco Aurélio Carvalho afirmou que Lulinha não tem informações sobre questões comerciais relacionadas à mansão porque a casa não foi alugada por ele nem para ele.
A defesa reconheceu que Lulinha esteve no imóvel, mas classificou as visitas como “episódicas e pontuais” e afirmou que não há crime na frequência à residência. As defesas de Roberta Luchsinger e Marcola foram procuradas e não se manifestaram.