O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu a responsabilidade fiscal do governo e afirmou que a população pobre não será sacrificada para equilibrar as contas públicas. A declaração foi feita nesta sexta-feira (6), durante reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), em meio à cobrança do mercado por medidas de ajuste. Com informações do Metrópoles.
Ao relacionar o compromisso com as contas públicas às políticas de inclusão social, Lula disse que o governo não transferirá o custo do ajuste aos mais pobres. “A única coisa que ele [o mercado] tem que saber é que o pobre não pagará a conta. Nós não levaremos o povo pobre a nenhum sacrifício”, afirmou.
O presidente também contestou as críticas à condução fiscal e argumentou que a avaliação dos resultados deve considerar a situação encontrada no início da gestão, em 2023. “Alguém pode falar que esse governo não tem responsabilidade fiscal? Para alguém falar que a gente não tem, as pessoas têm que dizer como é que nós pegamos esse governo”, declarou.
Segundo Lula, o governo assumiu com déficit de 2,8% e está apresentando um Orçamento com superávit. “Não é o que o sistema financeiro quer porque ele quer tudo. É o que a gente pode fazer”, disse. Durante o discurso, o presidente ainda comparou a dívida brasileira à de países como Estados Unidos, Japão e Itália.
Na defesa do desempenho econômico da gestão, Lula afirmou que o país registra a menor inflação acumulada em quatro anos de sua história. Também disse que 80% das categorias organizadas conseguiram acordos salariais com reajustes superiores à inflação e destacou os aumentos reais do salário mínimo.
Apesar de ressaltar esses resultados, o presidente reconheceu que o mandato atual termina “menos exitoso do que gostaria”. Ele sustentou, porém, que houve avanços econômicos em relação ao cenário encontrado quando voltou à Presidência.
Ao tratar dos limites para o endividamento, Lula afirmou que “ninguém pode gastar mais do que tem”, mas defendeu a possibilidade de contrair dívidas para construir novos ativos, como ferrovias, estradas e aeroportos. “Você pode fazer uma dívida desde que você possa pagar”, concluiu.