O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) falou no plenário da Câmara dos Deputados, pela primeira vez, da condenação que sofreu por transfobia, em processo movido pela deputada Duda Salabert (PDT-MG). Segundo Nikolas, é preciso tomar cuidado com o que chamou de "ativismo" do movimento LGBT - veja no vídeo acima:
"Eu fui condenado porque chamei um trans de 'ele'. Eu sabia que a verdade iria chegar, que a verdade não é aquilo que você vê. É aquilo que o interlocutor te diz", afirmo ele. O parlamentar ainda afirmou que o "movimento LGBT" não está atrás dele e sim atrás dos pastores, dos comunicadores, dos jornalistas.
"Eu posso dizer que os meus adjetivos são 'lindo e maravilhoso'. E quem não dizer isso, eu posso processar", acrescentou Nikolas Ferreira, citando até o ministro Flávio Dino no discurso. "Dizer que ele é gordo é gordofobia. Dizer que ele é magro, é fakenews", ironizou.
A condenação de Nicolas Ferreira foi em segunda instância, nesta terça-feira (5). Em 2020, quando os dois ainda eram vereadores de Belo Horizonte, o bolsonarista deu uma entrevista na qual se referiu a Salabert com pronomes masculinos.
Na entrevista, publicada em novembro de 2020, pelo jornal Estado de Minas, Ferreira afirmou: “Eu ainda irei chamá-la de ‘ele’. Ele é homem. É isso o que está na certidão dele, independentemente do que ele acha que é”, disse o então vereador. Após a declaração, a então vereadora entrou com uma ação por injúria racial e indenização por danos morais, julgada procedente pelo TJMG.
Na decisão em segunda instância, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) manteve a condenação contra Nikolas Ferreira, por unanimidade, e reduziu a indenização de R$ 80 mil para o valor de R$ 30 mil. Em primeira instância, a Justiça já havia destacado que sexo biológico e identidade de gênero não estão correlacionadas e que a transexualidade deveria ser respeitada.