No texto “o que é preciso fazer pra se tornar um bom locutor de rádio” fiz um pequeno comentário sobre a forma na qual minha geração conseguia material de outros locutores. Mas gostaria de falar um pouco mais.
Eu trabalhava na Rádio Cidade de Natal. Um dia fui fazer o horário das 06:00 às 10:00 da manhã. Rendi Sérgio Morango (hoje fazendo futebol na Rádio 98), que fazia a “Madrugada da Cidade”. Naquele dia, Morango comentou que um locutor de Aracajú – SE tinha telefonado para a Rádio Cidade perguntando se havia interesse do locutor do horário (no caso Sérgio Morango) trocar fitas K7. Sérgio, naquele momento, não se interessou e perguntou se eu queria o telefone da rádio do tal locutor.
No dia seguinte, liguei para a rádio do cara. Ele chamava-se Mequinho Carvalho. Naquele telefonema não consegui falar com ele mas deixei o seguinte recado com a telefonista: “por favor, diga ao Mequinho Carvalho que mande o material para o endereço que Morango forneceu. Diga também que retribuirei com a mesma quantidade”.
Em uma semana chegaram as primeiras fitas no endereço da Cidade e, a partir daí, trocamos muitas fitas. Mequinho trabalhava na madrugada e era muito ligado à “programações românticas”.
A gravação a seguir foi fornecida por ele. Traz um pouco do FM à noite em São Paulo.
Dos veículos de comunicação de massa, o rádio é o mais dinâmico. Isso porque, no rádio, é possível – por exemplo – dar um ‘flex’ ao vivo informando que houve um acidente em avenida “x” e o trânsito está parado, entre outras coisas. É a agilidade do rádio.
Mas há outro sentido da palavra “dinâmico” em se tratando de rádio. Os conceitos radiofônicos e os critérios técnicos podem mudar bastante com o passar dos tempos. O que funcionava há 10 anos, pode não funcionar hoje. E o que funciona hoje, pode simplesmente não funcionar daqui a alguns anos.
Ouvindo o áudio acima, lembro de uma época em que as trocas de horários entre locutores eram longas e, muitas vezes, “sem dizer nada”. Hoje em dia, troca de horário praticamente não existe, a não ser um breve “valeu fulano” ou “tchau beltrano”.
Confira.
Observe a forma como esse cara treinava locução. Ouvindo, ouvindo, ouvindo... e “se espelhando” nos bons locutores.
Só depois ele define um estilo próprio. E que estilo...
Outro dia comentei que iria trazer a história de Julinho Mazzei aqui no blog.
Vou postar uns vídeos deste que, certamente, está entre os grandes locutores do FM brasileiro.
Mazzei passou pelas principais rádios do pais, sempre com um tom inovador, e ainda hoje é referência para muitos profissionais do microfone.
O primeiro vídeo serve para contextualizar sua historia. Os próximos têm atuações muito interessantes.
Veja que carreira bacana.
Na universidade a gente ouve inúmeras vezes: “jornalistas, radialistas, comunicadores... têm de ser imparciais”. Há quem diga que – diante de valores absorvidos por toda uma vida – essa imparcialidade, na verdade, não existe. Também tem os que acreditam que buscá-la sempre “já está de bom tamanho”.
O fato é que nem sempre, nós comunicadores, conseguimos ser imparciais – embora o “uso” do bom senso muitas vezes molde isso.
A eminência do time local ‘subir’ para a primeira divisão do campeonato estadual paranaense fez o locutor esportivo passar dos limites. Parece um torcedor.
O fato aconteceu na cidade de Pato Branco no sudoeste do Paraná.
Ouça o que ele fala no ar.
O rádio é realmente apaixonante.
Nem mesmo uma deficiência visual impediu que esse cara continuasse narrando futebol no rádio. Eu estou falando de José Jorge. O “JJ”. Um potiguar que , ainda hoje, atua no rádio natalense (hoje ele trabalha Satélite FM – www.satelitefm.com.br).
Essa matéria foi produzida pela ESPN BRASIL.
Confira.
A voz feminina sempre fez parte do FM potiguar. Neuzinha Farache, Gianne Rivoredo, Elizabeth Venturini, Moniquinha, Amanda Faia, Daiane Cortez, Fernandinha Araújo, Elissandra Lima, Telma Rabelo (lembrava Mônica Venerabile), entre outras, fizeram historia no FM natalense.
Devo citar Lorena, uma carioca apaixonada por rádio e dance music, que
deu o ar de sua graça nas rádios FM Tropical, Cidade e 96 FM
Lorena parou de fazer rádio e foi morar no sul da Inglaterra.
A gravação acima trás Lorena no ar na Rádio Cidade por volta de 1991 apresentando “O
Sucesso da Cidade”. Ouça.
A respeito do texto “A objetividade no rádio” onde comentei o artigo “Locução: Menos é mais”, de Gabriel Passajou, o autor fez um comentário muito pertinente, o qual – com prazer – transcrevo a seguir.
“Descobri outro blog bem legal. É do Sílvio Henrique, locutor da 96 FM de Natal. Ele fez um bom comentário sobre o meu artigo 'Locução: menos é mais'.
Eu só posso concordar com essas colocações. O Sílvio abordou um aspecto interessante que ficou de fora do texto, até porque é impossível prever todas as situações. É o famoso clichê: Cada caso é um caso, ou seja, cada região e público tem suas características próprias. O que pode ser objetividade em uma rádio se transforma em frieza em outra. O que pode ser alegria e companheirismo em uma emissora pode ser encarado como superficialidade em determinadas emissoras. O ideal é recorrer ao velho bom senso e saber equilibrar a locução no decorrer do horário.”
Ps: Gabriel Passajou é consultor de rádio e produtor de áudio. (http://www.gabrielpassajou.com)
Julinho Mazzei é um dos grandes nomes do FM brasileiro. Todo locutor deveria conhecer o trabalho de Mazzei, independentemente de qual segmento de rádio atua.
Esse cara, além de ser um excelente locutor, tomou iniciativas durante sua carreira que o transformaram em um profissional diferenciado.
Sua história no FM será tratada em um outro momento, mas já vale registrar que Julinho criou vários programas de rádio. Todos muito bons e de grande repercussão. Big Apple Show (na Difusora), Radio Flight (na Jovem Pan), LM Music ( na Transamérica), entre outros.
A gravação acima é de uma época que Julinho apresentava o “Hits Parade” na Jovem Pan de São Paulo, um programa que tocava as músicas mais pedidas da rádio. Ouça.
O texto a seguir foi retirado do Blog de Gabriel Passajou. Leia. Ao final, farei algumas considerações.
Locução: Menos é mais.
Abril 1, 2009
Locutor: - É isso aí, gente! Agora são 10 horas e 30 minutinhos, manhã de sol de quarta-feira. E agora vamos bater aquele papo gostoso. Alô?
Ouvinte: - Alô?
Locutor: - Quem está falando?
Ouvinte: - Maria do Socorro.
Locutor: - Olá, Maria do Socorro, e você está falando de onde?
Ouvinte: - Do centro.
Locutor: - Do centro, é? E você está no trabalho?
Ouvinte: - Sim. Sou secretária.
Locutor: - Secretária?
Ouvinte: - Isso, da RM Contabilidade.
Locutor: - Beleza então, Maria do Socorro, então eu mando um abraço à todos aí da RM Contabilidade, tá?
Ouvinte: - Obrigada.
Locutor: - E vai pedir alguma música, Maria do Socorro?
Ouvinte: - Vou sim, quero ouvir a nova do Daniel.
Locutor:- A nova do Daniel? “Eu quero amar você”?
Ouvinte: - Isso mesmo.
Locutor: - Que maravilha, Maria. E vai mandar a música do Daniel pra quem?
Ouvinte: - Para o meu namorado, bla, bla, bla, bla…
Locutor: - Taí a sua música, e continue sempre na sintonia, tá bom?
Ouvinte: - OK.
Locutor: - Beleza. E agora vamos de Daniel - Eu quero amar você! Um bom diaaaaaa!
Quantas vezes você presenciou o diálogo acima? Eu perdi a conta! Trata-se uma uma quilométrica participação de ouvinte em que todos saem perdendo. Pelos meus cálculos, a conversa durou mais de 70 segundos. Vamos analisar todo o diálogo frase a frase.
Locutor: - É isso aí, gente! Agora são 10 horas e 30 minutinhos, manhã de sol de quarta-feira. E agora vamos bater aquele papo gostoso. Alô?
- “É isso aí, gente?” O que isso significa? NADA! Isso chama-se MULETA. É um vício que deve ser eliminado ou pelo menos reduzido ao mínimo. “Beleza?”,”Pois é!”, “Taí” entre outros se encaixam nessa categoria. Isso enfeia a sua locução e não acrescenta nenhuma informação útil ao seu ouvinte.
- 10 horas e 30 MINUTINHOS ou 10 horas MAIS 30 minutos está errado! Não é assim que você responde às horas à alguem, certo? É 10 e 30 ou 10 horas e 30 minutos. Acabou. A locução deve ser algo natural, então diga as horas como todos o fazem no dia a dia.
- “Manhã de sol de quarta-feira”? Locutor não é meteorologista. Pode fazer sol na rua da rádio e estar chovendo em um barro distante. Lembre-se que você fala com todos os ouvintes.
- E o “vamos bater um papo gostoso”? Existe algo pior do que isso? A frase, além de desnecessária, incita as pessoas a mudar de estação. Ouvinte quer ouvir música, não perder tempo com “papo gostoso”.
Ouvinte: - Alô?
Locutor: - Quem está falando?
Ouvinte: - Maria do Socorro.
Locutor: - Olá, Maria do Socorro, e você está falando de onde?
Ouvinte: - Do centro.
- Aqui notamos a completa falta de informação do locutor à respeito do ouvinte. Muitos radialistas abrem a participação do ouvinte sem ter a mínima idéia de quem está do outro lado. Infelizmente é praticamente uma regra. Vejam a perda de tempo: 5 intervenções só para saber que a Maria do Socorro está no centro da cidade!
Locutor: - Do centro, é? E você está no trabalho?
Ouvinte: - Sim. Sou secretária.
Locutor: - Secretária?
- Mais um vício de locução. O famoso ECO.
“Estou no centro”. - “No centro, é?”.
” Sou secretária”. -” Secretária?”.
Porque repetir? É desagradável conversar com alguém que repete sempre a sua última palavra, não acha? Imagine ouvir no rádio! Ninguém precisa saber uma informação duas vezes, ainda mais se for irrelevante.
Ouvinte: - Isso, da RM Contabilidade.
Locutor: - Beleza então, Maria do Socorro, então eu mando um abraço à todos aí da RM Contabilidade, tá?
Ouvinte: - Obrigada.
De vez em quando isso acontece. O ouvinte diz aonde trabalha. Péssimo. Primeiro porque dá a impressão que a secretária da RM Contabilidade não trabalha, fica ligando para a rádio pedindo música. É ruim para a RM e para a ouvinte. Segundo, se a rádio tiver um anunciante da área de contabilidade vai ficar “super feliz” com a publicidade gratuita da sua concorrente. É ruim para a sua rádio. Terceiro, a emissora não ganhou um centavo com a divulgação. É ruim para as vendas. E quarto, o locutor ainda corre o risco de ficar com fama de jabazeiro.“Vai ver que ele está ganhando um por fora!” Já pensou nisso? É ruim para a credibilidade do locutor.
Locutor: - E vai pedir alguma música, Maria do Socorro?
Ouvinte: - Vou sim, quero ouvir a nova do Daniel.
Locutor:- A nova do Daniel? “Eu quero amar você”?
Ouvinte: - Isso mesmo.
- Se a ouvinte vai pedir um música? Não, ela ligou para a rádio para encomendar um pizza! Não dá vontade de dizer isso?
- “A nova do Daniel?” Olha o locutor fazendo eco de novo.
Locutor: - Que maravilha, Maria. E vai mandar a música do Daniel pra quem?
Ouvinte: - Para o meu namorado, bla, bla, bla, bla…
Locutor: - Taí a sua música, e continue sempre na sintonia, tá bom?
Ouvinte: - OK.
Locutor: - Beleza. E agora vamos de Daniel - Eu quero amar você! Um bom diaaaaaa!
- “Que maravilha” e “Beleza” = Muleta.
- “Taí a sua música . Continue na sintonia, tá bom?” Outra frase descenessária.
- E para concluir: Vocês sabem qual o nome da rádio? Não é impressionante? Um diálogo de mais de um minuto e não sabemos qual emissora estamos. Sim, isso é muito comum.
Resultado: Participações longas limitam o número de ouvintes no ar. Apenas 3 intervenções como essa em uma hora, além de chatas, substituem uma música inteira.
Porque não fazer assim?
Locutor: - Rádio 108 FM, Sucesso em primeiro lugar! São 10 e 30, e agora eu converso com a Maria do Socorro que está no centro da cidade. Oi, Maria, bom dia!
Ouvinte: - Bom dia!
Locutor: - Que música você quer ouvir?
Ouvinte: - Daniel - Eu quero amar você!
Locutor: - E oferece para quem?
Ouvinte: - Meu namorado, bla, bla, bla, bla…
Depois do oferecimento? Vinheta (mais uma vez localiza o ouvinte na rádio que ele ouve) e música. Só. É rápido, dinâmico e não cansa o ouvinte. Sabe quanto tempo levou? 15 a 20 segundos! Em vez de 3 enormes participações em uma hora, faça 6 ou 7!
(Gabriel Passajou).
Lendo o Gabriel, é fácil perceber a intenção do autor: objetividade. É isso que Passajou sugere nesse texto. Até ai, perfeito.
Gabriel tem razão quando tenta mostrar que o profissional do microfone não dever perder tempo com coisas que não agregam valor ao seu programa. Afinal, tempo também é um instrumento de trabalho do locutor. Não se pode perdê-lo.
Mas entendo que a coisa não é tão simples assim.
Que fique bem claro: eu não sou a favor do uso exacerbado de “muletas”, mas, em rádio, é preciso levar em consideração alguns critérios para tratar de objetividade.
Se a emissora for voltada para o ‘popular’, “muita” objetividade pode ser ainda mais perigoso. Em um perfil de rádio onde quem ouve busca (mesmo que inconscientemente) companhia, o “excesso” de objetividade pode tornar o locutor antipático e causar distanciamento do ouvinte. E isso é muito perigoso.
É preciso lembrar que o rádio, especialmente o FM, é voltado para o entretenimento. E é, antes de tudo, companhia. Até que ponto a objetividade "ajudaria" na relação entre comunicador e ouvinte?
No rádio, existe uma linha tênue entre objetividade e companhia. Nesse sentido, o comunicador que se dar bem é aquele que consegue enxergar e “caminhar” sobre essa linha, sem sair muito do eixo, causando companhia ao ouvinte com a dose certa de objetividade.
Naturalmente, o tema é polêmico e pode gerar muitas opiniões.
Gostaria de saber a sua.
De um modo geral, o rádio é “meio igual” no Brasil. Diferenças regionais interferem na programação musical, talvez no vocabulário dos locutores, mas a “essência radiofônica” é mantida de Norte a Sul do país. O veiculo e a forma de fazer rádio, em princípio, é igual.
Fortaleza não difere muito das demais capitais do Brasil. Tem muitas emissoras, compondo um mercado competitivo e de elevado padrão técnico.
Mas a capital cearense tem algo que Natal não tem: um rádio AM muito vivo. A disputa por pontos de audiência no AM de Fortaleza é muito acirrada.
Um dos maiores índices de audiência do Brasil está no rádio cearense. E ele faz jus a isso. É um rádio “quente”, feito por grandes profissionais que se preocupam em ‘fazer companhia’ ao ouvinte todos os dias.
A campanha acima foi realizada pela ACERT – Associação Cearense de Emissoras de Rádio e Televisão e tem como mote “Rádio é Paixão”.
Vale a pena.
A Rádio Cidade sempre foi tida como “uma das melhores plásticas do Brasil”. De fato, as vinhetas da Cidade, se estivessem no ar (poucas vinhetas estão no ar), ainda hoje poderiam ser consideradas muito atuais.
E essa plástica tinha um particularidade muito interessante: embora tivesse uma essência mais voltada para o rádio “pop”, poderia ser usada também em uma programação “popular”, como aconteceu em Natal, valorizando a rádio da mesma forma.
Eu que sou muito ligado à plástica de rádio – devido a minha escola (muito rígida, em relação à operação), gostava de trabalhar com a plástica da Cidade. E ela me retribuía isso “energizando” meu horário.
O áudio acima foi gravado já na fase popular da Cidade, mas ainda assim, consegue mostrar a bela plástica da Ci-ci-cida-cidade.
Ouça.
A 96 FM é a rádio de Natal que mais promove eventos. E isso não é de hoje. Entre as grandes promoções de sucesso realizadas pela emissora, está a “Gincana 96”. A rádio mobilizava milhares de estudantes das mais variadas escolas de Natal que lotavam o ginásio Machadinho.
A 96 se envolvia na gincana de uma maneira tão intensa que praticamente todos os locutores da rádio compareciam ao evento.
A foto acima foi feita em uma Gincana 96. Da esquerda pra direita estão Ênio Sinedino (diretor da 96), Germano (então do departamento de promoção), Goba (programador musical – de boné branco), Ro Medeiros, Guiba Melo, Naza, Carlão, Jean Fernandes, Lorena e Gilvan Rato (sonoplasta).
O FM potiguar já veiculou muita coisa interessante. Os erros e acertos – base do desenvolvimento da nossa Freqüência Modulada – deixaram muitas lições; algumas boas e outras, nem tanto.
Por aqui já foram produzidos programas fantásticos, como Giração Cidade, Vôo Livre, Revolution, Reação Imediata, Programa Sem Nome, entre outros.
Mas houve um programa que chamou atenção. O “American Top 40”.
E chamou a atenção por dois motivos principais: era um programa “enlatado” – ou seja, chegava pronto para ser veiculado –, e, curiosamente, era apresentado por um locutor americano chamado Shadoe Steve.
O programa, como o nome sugere, apresentava as 40 músicas mais tocadas no Estados Unidos durante aquela semana.
A 96 FM veiculava o American Top 40 nas noites de sábado, às 22:00 horas.
Embora o Top 40 tenha sido um grande sucesso na terra do Tio San, vale aqui um questionamento: se o rádio é um veiculo essencialmente “local”, como justificar a veiculação de um programa produzido nos Estados Unidos e apresentado em inglês numa cidade como Natal?
Ao que parece, a forma não funcionou por aqui.
Ouça acima uma linda vinheta e Shadoe Steve apresentando o American Top 40.
Fran Silveira trabalhou na 96 FM ainda na época que a rádio se chamava ‘Reis Magos’. Lembro dele no ar com aquele sorrisão na voz.
Se não me falha a memória, Fran fazia parte de uma equipe que era composta por nada menos que Jorge Luiz, Tim Kawasaki, Ricardo Motta, Neuzinha Farache e Josenildo Caldas. Uma seleção pra diretor nenhum botar defeito.
Fran Silveira sempre teve uma “personalidade vocal” muito própria. É desses locutores que, quando está no ar, o ouvinte o reconhece rapidamente.
Há mais de vinte anos, Fran foi fazer rádio em Fortaleza-CE, onde, ainda hoje, tem um “grande” nome no rádio cearense.
No vídeo acima, embora quase não o vemos ‘de frente’, da pra matar a saudade de mais um excelente locutor que passou na terrinha ‘papa-jerimum’.
Silvio Henrique e Marcílio Dantas em um papo, adivinha sobre o que: rádio.
Quando conheci Marcílio Dantas, por volta de 1986, eu já gostava muito de rádio, ouvia muito rádio, mas não imaginava que poderia fazer parte desse fantástico veiculo de comunicação. Eu simplesmente ouvia muito rádio.
Fui apresentado a ele por uma grande amiga chamada Marília. Marcílio, com aquele jeitão de querer sempre inserir alguém novo no rádio, despertou em mim um sentimento de “eu também posso fazer rádio”. Lembro bem de um papo entre nós onde eu dizia: “Marcílio... minha praia é programação musical. Conheço muita música e acho que levo jeito”. Ele insistia: “Que nada. Você vai ser locutor!”
Após alguns treinos na casa dele, Marcílio (que nessa época trabalhava na Rádio Poty – hoje Rádio Clube AM) me informou: “A FM Tropical vai entrar no ar. Vá lá fazer uma visita e pedir um emprego”. Fiz isso e acabei ficando na emissora. Primeiro como auxiliar administrativo, depois como operador de VT na TV Tropical e, finalmente, como locutor da FM.
Em síntese, foi Marcílio Dantas quem colocou na minha cabeça que eu ia ser locutor de rádio. As coisas começaram pra valer depois que conheci Marcílio. Os treinos, a troca de fitas K7, a forma diferenciada de ouvir rádio – não mais como um ouvinte comum – tudo isso “chegou” em mim através de Marcílio. Devo isso a ele e sou muito grato por isso.
Marcílio, já trabalhou na Poty, 96 FM, 95 FM, Rádio Nordeste AM, 98 FM, FM Tropical e hoje está na Rádio Globo Natal. Ele, assim como eu, ministra cursos e seminários de rádio há muitos anos. Tem o que ensinar!
A foto acima foi feita durante uma confraternização no final de um de meus cursos, em 1997.
Marcílo Dantas. Um grande nome do rádio potiguar.
Em 1989 o carioca Flávio Bruno – então coordenador da Rádio Cidade de Natal – foi coordenar a Rádio Cidade de Cuiabá no Mato Grosso (coincidentemente 94,3 MHZ – igualmente a de Natal).
“Brunório”, como também era conhecido no rádio potiguar, “batia muito com meu sangue”, e isso gerou um convite pra eu ir com ele trabalhar em Cuiabá fazendo locução e promoção na Cidade. Bruno já conhecia, naquela época, muito sobre rádio. Tinha um “feeling” muito apurado (capacidade de compreensão ou execução de um fenômeno musical inexplicável), e eu, então com 19 anos ( 2 de rádio), não poderia perder aquela oportunidade de aprender a “fazer rádio”.
Bruno, além de conhecer muito o veiculo, me contagiava com seu jeito Muuuuito vibrante. Se trabalhar em rádio é algo apaixonante, com Brunório era uma verdadeira ‘loucura’, no mais instigante sentido da expressão.
Mudamos a cara da emissora. Fizemos grandes promoções, implantamos um modelo de sucesso em Recife e Natal , e a rádio realmente cresceu.
Eu profissionalmente colhi muito em seis meses de Cuiabá, especialmente “colando”em Flávio Bruno, mas não me adaptei à cidade e acabei voltando à Terra do Sol.
Hoje em dia, passados praticamente vinte anos, ainda tenho minhas limitações técnicas, claro. Mas você pode imaginar como eu era naquela época...
Se não fosse por “questões históricas” não valeria a pena postar esse áudio.
Confira a gravação.
Juninho (hoje na 98) e Sílvio Henrique no estúdio da Rádio Cidade. Início dos anos 90.
Quando comecei em rádio, se veiculava músicas em vinil (o velho bolachão) e comerciais em cartuchos (espécie de fita especificamente para rádio).
Os vinis eram executados em pick-ups e os cartuchos em cartucheiras. Depois surgiram o CD, o MD (mini disc), o DAT, chegando finalmente ao computador.
Muitos radialistas que viram essa evolução tecnológica defendem uma tese no mínimo curiosa: a de que o rádio era melhor “operado” na época das cartucheiras e vinis. “Era ali que apareciam os bons operadores”, defendem.
Após o surgimento do micro nos estúdios – veiculando tanto música como comercial e vinhetas – os operadores (que em FM são os próprios locutores), “se nivelaram”. Isso porque, a princípio, o computador pode mixar músicas e vinhetas sem uma intervenção do operador. Este apenas determina quais músicas e quais vinhetas o micro vai mixar. O "time" da mixagem é igual, independente de qual locutor/operador esteja no ar.
Na época dos cartuchos, vinis e CD’s – esse "time" era determinado pelo locutor do horário. Era ele que decidia o melhor momento pra ‘soltar’ o próximo áudio (uma música ou vinheta), valorizando a plástica e a dinâmica da rádio.
Quanto mais ‘explorado’ ou ‘acertado’ esse time, melhor era o operador. E isso, naturalmente, reflete ‘na arte-final’ do locutor. Ou seja, melhor operação, melhor a plástica, melhor dinâmica da rádio.
Hoje, mesmo o micro “engessando” um pouco a operação, alguns locutores ainda dão a devida importância a uma boa operação.
A foto acima demonstra o que era um estúdio de rádio e seus componentes para uma boa operação.