Publicada 13/05/2019 às 05h | atualizada 13/05/2019 às 17h

Tour “Hello Adele Tribute” passa por várias cidades do Brasil

No final de junho de 2017, após sentir um desconforto em sua poderosa voz durante um show no estádio Wembley, em Londres, a cantora Adele decidiu cancelar outras duas apresentações marcadas para a capital inglesa, antecipando assim uma já programada pausa na carreira para se dedicar mais ao filho e ao marido. Cansada pelos mais de 120 shows realizados em 25 países num período de 16 meses, a artista chegou a escrever uma carta aos fãs, confessando ser uma pessoa com dificuldade em lidar com turnês. “Fazer uma viagem atrás da outra não combina comigo. Curto muito ficar em casa e me divirto tanto com pequenas coisas… não sei se farei turnês novamente”, afirmou, à época, para tristeza de fãs em todo o planeta.

O anúncio do fim das apresentações ao vivo da britânica significou, curiosamente, o nascimento de um grandioso projeto, idealizado no Brasil, mas com datas já confirmadas em mais de dez países da América Latina, Europa e Ásia. Baseado no DVD gravado pela cantora no Royal Albert Hall, em Londres, em 2011, o “Hello Adele Tribute” estreou no último dia 13 de abril, em Porto Alegre (Teatro do Bourbon Country). Segundo Juliano Carvalho, diretor artístico do espetáculo, a realização foi um grande presente para os fãs. “Ficou uma lacuna com esse hiato na carreira de Adele. Há fãs em todo o planeta que gostariam de revê-la no palco. Sem falar os que nunca tiveram essa oportunidade. Agora eles tem ao menos a chance de acompanhar uma superprodução, com o melhor do repertório da artista e uma preocupação absurda em repetir cada detalhe do show original”, explica.

Além da apresentação programada para o dia 13, outras duas extras foram agendadas para o mesmo espaço de shows, igualmente com ingressos esgotados. Prova de que a “marca” Adele segue muito poderosa. Até mesmo porque a maioria dos fãs brasileiros da estrela britânica não conhece a cantora que a “interpreta” no tributo. Tarefa a cargo da franco-brasileira Stephanie Lii, que se preparou durante meses para esta grande responsabilidade. Segundo Juliano, aquela que poderia ser uma das escolhas mais difíceis durante a pré-produção do projeto, acabou sendo a mais fácil. “Não realizamos nenhuma seleção, nem ouvimos outras cantoras. Eu já conhecia a Stephanie há muito tempo. Sabia de seu enorme talento, o que evitou qualquer teste. O timbre de voz dela é muito similar ao da Adele. Sem falar na afinação… Creio ter sido a escolha perfeita”.

Nascida em Novo Hamburgo e vinda de família francesa por parte de mãe, a artista canta profissionalmente há 14 anos. Ainda adolescente, fez parte do primeiro coral de meninas cantoras do Rio Grande do Sul. Figurinha carimbada em muitos estúdios e palcos do estado, Stephanie teve de deixar momentaneamente seus trabalhos artísticos próprios para se dedicar exclusivamente ao projeto. “Desde que recebi o convite para o espetáculo muita coisa mudou. Inclusive minha admiração por Adele. Já era fã, claro, mas durante minha preparação para o show acabei conhecendo muito sobre ela e me identificando ainda mais”, revela.

A preparação citada pela cantora envolveu uma viagem a Londres, onde passou um bom período, estudando, lendo e aprendendo sobre Adele, além de ter melhorado o inglês. “Ela precisava mergulhar na vida da cantora. Entender os gostos de Adele e saber pelo que ela passou até chegar ao estrelato. Ficamos hospedados no bairro de Nothing Hill,  onde Adele conseguiu comprar seu primeiro apartamento. Era importante andar por aquelas ruas, sentir aquela atmosfera e conseguir levar tudo isso pro palco com a maior veracidade possível”, explica Juliano. Além da experiência em solo inglês, a cantora brasileira ensaiou durante cerca de três meses até se considerar totalmente pronta para o desafio.

Outra grande preocupação da Hits foi reproduzir “nos mínimos detalhes” o cenário e os figurinos da apresentação de Adele, em setembro de 2011, no Royal Albert Hall. A escolha deste show como “guia” se deu por se tratar do único registro audiovisual de Adele. O trabalho da equipe de produção foi tão apurado que até pequenos gestos da cantora naquela gravação serviram de inspiração. “Num determinado momento do DVD, a Adele chora de emoção e pega um lenço de papel, ao lado de um pedestal. Essa caixa de lenço também está em nosso palco. São pequenas coisas, como duas canecas que Adele usa durante a apresentação, uma com estrelas e outra com a imagem do cachorrinho dela… a gente tem também”, enumera Juliano.

A iluminação não inspirou menos cuidados. Há vários abajures no palco, com diferentes formatos de luz, “dialogando” com as canções. Cada um “parece ter vida própria”, segundo Juliano. A programação é feita em time code, que dispara a luz a partir da referência da música. Ou seja, as luzes permanecem no mesmo beat das canções, exatamente como no DVD. A mesma disciplina dos produtores pode ser percebida nas estantes de partituras, no formato e madeira do piano da artista, cor dos microfones e até o estilo do pedestal reto no palco. Tudo é igualzinho ao registro original.

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